
Ainda pouco conhecida do público brasileiro que gosta de tênis, Carolina Bohrer Martins, de apenas 18 anos, foi um dos destaques do primeiro torneio Mantiqueira Pro Series – ITF W15 de Campos do Jordão, disputado na semana passada. Ela foi semifinalista de simples, derrotada apenas pela campeã Luiza Fullana em uma partida de três sets, e foi vice-campeã de duplas.
Natural de Santa Catarina e morando nos Estados Unidos desde 2018, a tenista tem uma trajetória um pouco incomum no tênis. Carolina Bohrer Martins disputou poucos torneios do circuito juvenil da ITF e iniciou cedo a transição para o tênis profissional, com apenas 14 anos.
“Quando eu comecei jogar profissional, eu amei e decidi parar de jogar junior porque não era muito fã por ter grupinhos, ter dificuldade para encontrar gente para treinar e decidi jogar só profissional”, afirmou a tenista, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO TÊNIS.
A precocidade nunca foi um obstáculo para a tenista. Com 11 anos, ela já havia conquistado títulos de simples e duplas em uma etapa da Copa Guga. Os desafios nesse começo de trajetória foram outros.
“Quando cheguei lá (Estados Unidos) não tinha green card, então não podia jogar certos torneios. A língua também foi uma dificuldade, mas agora não é mais”, diz a garota, com o sotaque de alguém que mora há sete anos fora do país.
Carolina treinou por seis anos no National Campus da USTA. Ela foi a tenista número 1 da Flórida na idade dela por dois anos e esteve entre as seis melhores dos Estados Unidos. Teve propostas para disputar o circuito universitário e, apesar de estar cursando faculdade de ciências de saúde de forma online, na Valencia College, não tem interesse no College.
“Não estou pensando em jogar College. Eu quero tentar o profissional e ver como eu consigo me sair”, explicou.
Carolina está atualmente na 731ª colocação no ranking da WTA. É a 10ª melhor tenista brasileira na lista, sendo que apenas Nauhany Silva, de 16 anos e 603ª no ranking, é mais jovem do que ela entre as dez primeiras. Quando os pontos do torneio da semana passada forem computados no ranking, ela deverá aparecer na melhor colocação da carreira, por volta do 680º lugar.

Nesta semana, ela será cabeça de chave número quatro no segundo ITF W15 de Campos do Jordão, aguarda uma adversária que sairá do quali e terá a chance de subir mais algumas posições para se aproximar das metas para a temporada.
“Minha meta é chegar em torno da posição 450 em simples e 400 em duplas”, afirmou.
Depois de encerrar o período de treinamentos no National Campus da USTA, Carolina Bohrer Martins passou a treinar apenas com a irmã, Manuela. Para os torneios, ela viaja sozinha por causa dos custos. Atualmente, a tenista conta apenas com apoio da Wilson e da Asics.
“Estou em busca de patrocinadores para poder jogar mais. Os custos de viagem são muito grandes”, afirmou.
Além de apoio, Carolina Bohrer Martins busca reconhecimento no seu país natal. Os anos nos Estados Unidos a afastaram das empresas, organizadores e público. Ela não recebe convites para os torneios, propostas de parcerias, mas espera reverter o quadro dentro de quadra e sonha em representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.
“Sempre quis muito aparecer aqui no Brasil e ter oportunidade de jogar, mas aprendi que tudo aqui é muito difícil. Estou aqui para mostrar que mereço uma oportunidade. Tenho esperança”, completou.
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