Com pai na guerra, tenista ucraniana clama por ajuda no Australian Open

Com pai na guerra, tenista ucraniana clama por ajuda no Australian Open
Oleksandra Oliynykova foi para a entrevista com mensagem importante na camisa (Crédito: Reprodução)

A tenista ucraniana Oleksandra Oliynykova chamou a atenção dentro e fora das quadras nesta terça-feira, no Australian Open. A jogadora, de 25 anos, enfrentou a atual campeã, Madison Keys, com o rosto repleto de tatuagens temporárias de flores, chegou a abrir 4-0 no primeiro set, mas foi derrotada por 7-6 (8-6) e 6-1.

Após o jogo, Oliynykova foi para a entrevista coletiva com uma camisa com uma mensagem sobre a guerra entre Ucrânia e Rússia.

“Eu preciso da sua ajuda para proteger as mulheres e crianças ucranianas, mas não posso falar sobre isso aqui”, dizia a mensagem na camiseta.

Em 2011, quando tinha 10 anos, a família de Oliynykova fugiu da Ucrânia para a Croácia como refugiados políticos após protestar contra o governo pró-Rússia de Viktor Yanukovych. Ees retornaram à terra natal. Oliynykova mora e treina em Kiev, enquanto seu pai e treinador, Denis, serve na linha de frente do exército ucraniano.

Oliynykova agora viaja sozinha e seu box estava vazio na partida desta terça-feira. A tenista vê como sua missão representar a Ucrânia no cenário mundial e lembrar o mundo de que a guerra ainda cobra seu preço no país.

“Houve alguns ataques massivos na última noite que passei na Ucrânia antes da viagem para cá. Houve uma explosão perto da minha casa e um drone atingiu a casa do outro lado da rua. Meu apartamento estava literalmente tremendo por causa da explosão. Toda competição é importante, toda oportunidade de falar sobre a Ucrânia. Porque é triste, porque esta guerra é muito longa, e acho que as pessoas estão perdendo a atenção depois de tantos anos. Mas agora na Ucrânia não temos eletricidade. No meu apartamento, não tenho eletricidade, nem água, nem aquecimento. É isso que está acontecendo. Toda oportunidade de falar sobre isso, acredito que seja muito importante”, afirmou.

Oliynykova diz que a entrada de seu pai no exército foi o catalisador para sua ascensão no ranking. Há apenas oito meses, ela era a número 274; desde então, ela entrou no Top 100 depois de vencer três títulos WTA 125 em Tolentino, Tucumán e Colina. Ela o descreve como seu “maior apoio desde a infância em tudo” e que ele sonhava em um dia ver Oliynykova jogar em quadras como a Rod Laver Arena.

Denis Oliynykov não pôde estar presente pessoalmente desta vez, mas assistiu à partida da Ucrânia e a mensagem que enviou à filha talvez tenha sido o momento mais especial de um dia especial.

“Ele me disse que foi uma partida incrível. E sim, realizei o sonho dele numa situação dessas. O que mais poderia ser? Qual seria a maior motivação? Não consigo imaginar.”, completou.

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