Após pausa de sete anos, Letícia Vidal reencontra amor pelo tênis e conquista primeiro título

Após pausa de sete anos, Letícia Vidal reencontra amor pelo tênis e conquista primeiro título
Letícia Vidal conquistou os títulos de simples e duplas do W15 de Belém (Crédito: Reprodução)

Letícia Vidal começou a jogar tênis muito cedo, aos sete anos. Chegou a ser número 38 do mundo no ranking juvenil e, em 2014, disputou três dos quatro Grand Slams na categoria (faltou US Open), chegando nas quartas de final de duplas no tradicional torneio de Wimbledon, na Inglaterra.

Com 18 anos de idade e 11 de tênis, Letícia Vidal tomou uma atitude inesperada. A rotina de treinos, viagens e torneios já tinha provocado um desgaste muito grande e ela não sentia mais prazer na quadra. Então, a tenista decidiu interromper a carreira.

“Eu entrei no esporte muito nova e, naquela época, existia uma pressão muito grande para você estourar cedo. Era colocado na nossa cabeça que, se você não chegasse muito nova ao topo, se não fosse número 1 do mundo, parecia que nada mais teria valor. Eu sempre levei o tênis muito a sério. Em determinado momento, cheguei ao meu limite mental. A pressão e a intensidade que a gente vive todos os dias dentro do esporte me fizeram parar e me afastar para me descobrir fora do tênis, entender quem eu era sem ele e cuidar de mim”, afirmou a tenista, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO TÊNIS.

Entre o final de 2014 e meados de 2022, Letícia Vidal viveu a vida fora do tênis. Mas, com os passar dos anos fora das quadras, ela começou a ter a sensação de que uma parte da sua vida ainda estava inacabada. Em abril de 2022, ela estava de volta às quadras, já com 25 anos.

“O mais curioso é que, quando eu parei, eu estava jogando muito bem. Eu vinha de uma fase muito boa no juvenil e simplesmente abandonei tudo, sem olhar para trás. Mas, com o passar dos anos, fui percebendo que existia alguma coisa dentro de mim que tinha ficado inacabada. Foi isso que me fez voltar. Não foi simplesmente voltar a jogar tênis, foi voltar para terminar uma história que eu tinha deixado pelo caminho”, explicou.

Com os sete anos de inatividade, Leticia Vidal deixou de figurar no ranking. Passou a entrar nos torneios através de convites, qualis, como em qualquer recomeço. Neste domingo, quatro anos após a volta, a tenista conquistou o melhor resultado da carreira. Foi campeã em simples e duplas do ITF W15 de Belém, no Pará. O primeiro título de Letícia Vidal vai colocá-la de volta entre as 1.000 primeiras tenistas do ranking.

“Esse primeiro título representa muito mais do que uma conquista. Representa toda uma história, todo um processo e tudo que eu já vivi até chegar aqui. Representa ter jogado, ter parado, ter voltado, ter tido momentos difíceis e, mesmo assim, ter escolhido continuar. Representa a persistência no trabalho, no dia a dia, nos treinos e em todos os pequenos passos que muitas vezes ninguém vê. Acho que esse título representa, acima de tudo, um caminho. Um caminho que ainda está sendo construído, mas que me mostra que todo o esforço, toda a dedicação e toda a persistência valeram a pena. É uma conquista que tem um significado muito especial para mim porque carrega tudo o que eu precisei viver para chegar até aqui”, afirmou.

Letícia Vidal ainda não sabe onde esse caminho vai levá-la. Aos 29 anos, madura, ela não faz metas de rankings, premiações ou pontuações. O fim ela não sabe qual será, mas agora, feliz, a tenista quer aproveitar a jornada.

“Sinceramente, hoje eu acho que o que eu busco no tênis é algo muito mais pessoal. Não é sobre vitórias, ranking ou um resultado específico. É uma coisa minha comigo mesma. Depois de tudo que eu vivi, de ter parado, de ter voltado e de ter reconstruído minha relação com o esporte, acho que eu busco descobrir até onde eu consigo chegar quando faço as coisas por mim, no meu tempo e da minha maneira. É sobre me desafiar, me superar e sentir que estou dando tudo de mim. É sobre olhar para trás e saber que eu não deixei de viver aquilo que ainda estava dentro de mim. No fim, acho que o que eu busco é essa realização comigo mesma. Saber que eu fui até onde eu podia ir e que essa história foi vivida de verdade”, completou.

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